
Vestígios é uma intervenção artística contínua na paisagem através da inserção de pequenas esculturas de cerâmica em diversos ambientes. Marcadas por gestos dos dedos e mãos, as esculturas se assemelham a pedras e simbolizam a presença da artista. Ao serem deixadas no solo, tornam-se parte do local, com a possibilidade de serem descobertas por outras pessoas ou se misturarem com o meio ambiente.
A obra começou a ser composta em 2023, quando a artista realizou uma viagem para Portugal durante sua pesquisa sobre a materialidade do barro e manifestações rupestres. Assim surgiram as pedras marcadas por dedadas, sinalizando sua passagem. O projeto cria um jogo entre a intenção da ação e a imprevisibilidade, seja da natureza ou do público. O percurso se torna parte da obra, criando uma cartografia na qual a artista desenha seu trajeto. Sujeitas ao desgaste natural, deslocamento ou desaparecimento, as esculturas podem seguir seu próprio caminho, tornando a obra viva, não pertencente a um único lugar.
Em 2025, a artista iniciou um projeto de vivência nômade pelo Brasil, complementando a expansão dos Vestígios que já somam mais de 70 partes registradas através do Google Maps, serviço gratuito de pesquisa e visualização de mapas, imagens de satélite e navegação GPS. Uma espécie de convite à visitação de diversas regiões do país, incluindo parques naturais, monumentos, sítios arqueológicos e zonas rurais, incentivando o turismo nacional.
O uso da argila tem relação direta com a terra pois, além do material, o ato de devolver as peças prontas para diferentes solos cria uma ligação simbólica com a natureza. Sugerindo uma lógica que se contrapõe à ideia de permanência e consumo, Vestígios abraça a efemeridade da existência na arte como uma forma de prestigiar cenários naturais sujeitos à profundas mudanças ao longo do tempo. A obra nos instiga a enxergar a fluidez da vida e a interdependência do ambiente com a humanidade.
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